Carnaval de 1933 – Estação Primeira de Mangueira

foto portal Memorial da Democracia

Carnaval de 1933: O Segundo Passo da História das Escolas de Samba

Em 1933, o Rio de Janeiro presenciou mais uma etapa importante na consolidação do desfile das escolas de samba como um dos maiores eventos culturais do país. Este ano trouxe um cenário ainda mais competitivo e artístico, mesmo com as regras e estruturas longe do que conhecemos atualmente.

Organização e Contexto

  • Local do desfile: Praça Onze, coração do samba no Rio de Janeiro.
  • Organização: Não havia uma entidade oficial como a LIESA; o desfile era organizado por grupos locais e jornalistas ligados ao samba.
  • Julgamento: Os critérios de avaliação ainda eram pouco definidos, considerando aspectos como harmonia, criatividade, e desempenho da bateria.

O desfile de 1933 seguiu os passos de 1932, quando a escola Deixa Falar brilhou, mas agora contou com uma competição mais acirrada e a participação de mais escolas, simbolizando a popularidade crescente do samba.


Escolas Participantes e Resultados

Ainda não havia um número oficializado de escolas participantes, mas sabe-se que várias delas marcaram presença. Entre as mais notáveis estavam:

  1. Estação Primeira de Mangueira – Foi uma das escolas que mais se destacou, com sua força no ritmo e um visual que começava a apontar para o futuro do carnaval.
  2. Portela – Em formação como uma grande potência do samba, Portela apresentou uma organização sólida e chamou a atenção pela harmonia.
  3. Vai Como Pode (futura União da Ilha) – Representando a criatividade popular.

Destaques do Desfile

  • Personagens marcantes:
    • Cartola (Mangueira): Já consolidado como um dos maiores compositores de samba, teve papel fundamental na harmonia e escolha do enredo.
    • Paulo da Portela (Portela): Líder carismático, guiou sua escola em uma apresentação que mesclava disciplina e brilho cultural.
    • Heitor dos Prazeres: Embora ligado ao início das escolas como a Deixa Falar, sua presença no movimento ainda era forte.
  • Inovação e tradição: Em 1933, as escolas começaram a experimentar mais com fantasias e carros alegóricos, ainda que rudimentares. A bateria foi o maior destaque técnico, com cada escola buscando mostrar sua superioridade rítmica.

Classificação Geral

Infelizmente, o Carnaval de 1933 não teve registros formais e detalhados da classificação como conhecemos hoje. Algumas fontes indicam que a Portela foi vista como a grande vencedora por seu desempenho técnico, mas outras exaltam a Mangueira pela apresentação mais animada. Como não havia uma entidade reguladora, os resultados ficaram oficiosos e dependiam muito da opinião popular e da cobertura da imprensa da época.


Legado de 1933

O desfile deste ano foi mais um tijolo na construção do que viria a ser o maior espetáculo da Terra. Ele consolidou personagens e escolas que, ao longo das décadas, se tornariam ícones do samba. Foi também um período de amadurecimento para o formato das competições, pavimentando o caminho para as regulamentações futuras.