Carnaval de 1936 – Mangueira

Carnaval de 1936: Mangueira Consolida Sua Força no Samba

O desfile de escolas de samba de 1936 foi mais um marco na construção do Carnaval como espetáculo cultural e competitivo. Realizado novamente na Praça Onze, o evento deste ano destacou a Estação Primeira de Mangueira, que conquistou seu terceiro título, reafirmando-se como uma das grandes forças do samba carioca. O desfile trouxe inovações artísticas e a consolidação de líderes que marcaram a história do samba.


Organização e Contexto

  • Local do desfile: Praça Onze, o coração do samba e do Carnaval carioca.
  • Organização: Prefeitura do Distrito Federal, seguindo o modelo das competições anteriores.
  • Critérios de avaliação: O julgamento baseou-se em quesitos como harmonia, evolução, bateria, enredo, fantasias e conjunto.

O desfile de 1936 já mostrava um crescimento na quantidade de escolas participantes, bem como no nível artístico apresentado, refletindo a ascensão do samba como símbolo cultural do Rio de Janeiro.


Escolas Participantes

Entre as principais escolas que participaram do desfile de 1936 estavam:

  • Estação Primeira de Mangueira
  • Portela
  • Vizinha Faladeira
  • Prazer da Moreninha
  • Unidos da Tijuca

Outras escolas também participaram, mas os registros históricos completos nem sempre mencionam todas as agremiações.


Destaques do Desfile

1. Mangueira: Tricampeã com uma Apresentação Icônica

A Estação Primeira de Mangueira brilhou com um desfile impecável, que abordou o tema da resistência cultural e do samba como expressão da identidade nacional.

  • Enredo: “As Glórias do Samba e da Raça Brasileira”.
  • Destaque artístico: A Mangueira apresentou sambas autorais marcantes, com versos que exaltavam a força do povo negro e as raízes culturais do samba.
  • Personagens principais:
    • Cartola: Responsável por liderar a parte musical da escola, Cartola compôs sambas com melodias e letras cativantes que encantaram público e jurados.
    • Carlos Cachaça: Parceiro de Cartola, ajudou a construir o enredo e a reforçar a harmonia da apresentação.
    • Zé Espinguela: Outro nome importante na liderança, contribuindo para a organização e o carisma da escola.
  • Bateria: A bateria da Mangueira, com seu ritmo inconfundível, foi considerada uma das melhores da noite.

2. Portela: A Disciplina em Busca do Título

A Portela, tradicional concorrente, apresentou um desfile técnico e organizado, mas ficou novamente atrás da Mangueira.

  • Enredo: A Portela trouxe uma narrativa mais didática, voltada para a história e cultura brasileira.
  • Destaques:
    • Paulo da Portela, líder e visionário, continuou a destacar-se pela organização e harmonia da escola.

3. Vizinha Faladeira: Alegria Popular

A Vizinha Faladeira manteve sua marca de ser uma escola vibrante e com forte apelo popular.

  • Pontos fortes: Sua bateria foi elogiada pelo ritmo animado e pela conexão com o público.

Personagens Marcantes

  • Cartola (Mangueira): Consolidado como um dos maiores compositores do samba, liderou musicalmente a Mangueira em mais um título.
  • Carlos Cachaça (Mangueira): Figura importante na construção do enredo e no fortalecimento da harmonia.
  • Paulo da Portela: Símbolo de organização e inovação, continuava a moldar a identidade da Portela como uma potência cultural.

Classificação Geral

  1. Estação Primeira de Mangueira – Campeã com o enredo “As Glórias do Samba e da Raça Brasileira”.
  2. Portela – Organizada e disciplinada, mas sem o impacto emocional da Mangueira.
  3. Vizinha Faladeira – Destacou-se pelo ritmo e animação popular.
  4. Outras escolas – Participações dignas de nota, mas sem ameaçar as favoritas.

Legado do Carnaval de 1936

O desfile de 1936 consolidou a Estação Primeira de Mangueira como uma das escolas mais importantes do Carnaval carioca. A vitória deste ano, somada às anteriores, deu à Mangueira o status de tricampeã, além de reforçar a importância de seus líderes, como Cartola e Carlos Cachaça.

O evento também evidenciou a competitividade crescente entre as escolas, especialmente entre Mangueira e Portela, que dominariam os desfiles nas décadas seguintes. Com enredos mais elaborados e a busca por harmonia e inovação, o Carnaval começava a se aproximar do espetáculo grandioso que conhecemos hoje.